sábado, 18 de agosto de 2007

ESSA VIDA DESCARTÁVEL...

Essa vida descartável...

A vida vai passando e estamos ficando craques em ir deixando coisas para trás, o amor que tínhamos por algumas coisas até certo tempo, dias atrás, já não temos mais, até o amor aos pais parece que se vai, afinal não há mais tanta vontade de pegar na mão deles, de dar um beijo, alegamos que o tempo passou e já somos “grandes”, mas será que é grande quem esquece o amor?

Vivemos uma vida descartável, vivemos o agora, a hora, o coma a vontade, mas coma rápido.

Uma vida que se gasta e desgasta em um piscar de olhos, abandonado coisas e pessoas e tudo que nos faça ou force a permanecer.

Onde será mesmo, que estão os nossos projetos do ano passado, onde estão os sonhos de tempos atrás? Será que acordamos? Onde você deixou seu marido, cadê a sua mulher, digo a primeira mulher com quem trocou juras de amor? Será que o ditado, quem jura mente, está certo?

Cadê o seu filho, cadê o nome do seu pai na sua certidão, por onde será e como estão àqueles amigos que você vivia dizendo que não vivia sem?

Estamos na era da vida descartável, ou melhor, da vida moderna e prática, parece que cada dia que acordamos, nossas mentes eliminam um dia atrás, vivendo os anos á frente esquecendo os passados, a cada ano novo, uma vida nova, uma casa nova, um carro novo, amigos novos, uma mulher nova, um filho novo e o que ficou para trás, já não serve mais, alias, onde estão os vencedores de reality shows e concursos musicais da TV? Porque não se ouve mais musicas de fenômenos do passado nas paradas de sucessos? Onde estão os filmes da extinta Atlântida? Quem foram mesmo Elvis, Elis, Carmem, Renato, Dener?

Estamos ficando sem memória e sem paciência para permanecer amanhã, com o que escolhemos hoje, se o marido errou, ande com a fila, se a mulher está fora do peso, às academias estão cheias de outras que estão dentro, se ele (a) ficou chato (a), tem muita gente legal por ai, engravidou? Eu não vou assumir isto e nem carregar este peso para o resto da vida, a faculdade está difícil, vou trocar de curso.

Sonhamos com o hoje, o nosso gosto e nossas escolhas são como fumaça, se dissipam rápido demais, a fila não anda, corre, agora se quer, amanhã não mais, isto me remete a um testemunho de um casal que vi, que faziam 70 anos de casados, ele com 90 e poucos anos, ela por volta dos 90 e perguntaram a ele: qual é o segredo? Ele declarou: um dia ela fala, no outro eu a ouço, como será possível? Na verdade isto só ocorreu e ocorre com alguns casai, devido à renúncia, pois somos tão modernos, tão sabidos, tão donos de nós mesmos que acabamos ficando apenas com nós mesmos, não ouvimos ninguém, não respeitamos ninguém, não “devemos” nada a ninguém, não é verdade? Estudamos tanto em tantos cursos, para depois desaprender a fazer conta de somar, pois se uma metade mais uma metade formam um inteiro, porque tantas metades numa noite, porque preferir ser apenas metade e nunca chegar a um inteiro?

Será que um ator de uma grande emissora de TV não conhece nenhuma menina de família? Quantas festas ainda não tinham para ir aqueles jovens que morreram num acidente de carro na lagoa? Quanto tempo não teria Susane histofen para curtir sua herança pega na hora certa? Quantos sorrisos você não podia ver do seu filho, se permanecesse com ele? Quantos abraços e carinhos após um dia ruin de trabalho você não teria para receber de sua mulher se permanecesse com ela, quantos cachorros quentes vocês não tinham ainda para dividir? Porque assumir o papel da morte no casamento?

A vida tem se tornado isso, tem se entornado nisso, nas estradas, nas camas, nas brigas, nas distancias, nas covardias que se é fugir do problema ao invés de resolvê-los, é melhor deixar para trás do que dar um passo atrás, desistir é mais fácil sim do que persistir, abandonar é mais rápido do que assumir, para desligar os aparelhos, basta apertar um botão, mas mantê-lo funcionado exige dedicação e cuidado com toda a mecânica do mesmo, deixar pra lá é melhor que ter que concertar, por isso deixamos as coisas de lado, as pessoas de lado, até a própria vida de lado!

Se no próximo mês eu não escrever mais aqui, tudo bem, outro escreve no meu lugar, se amanhã você não acordar mais, tudo bem também, afinal todos são substituíveis mesmo!

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