quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

CRESÇA...DIMINUA

Cresça... Diminua!

Quando somos crianças, vemos as conversas de adulto, as prioridades, os pedidos de: “dá licença que é conversa de adulto” e com isso é natural o sentimento que brota em nós, o sentimento de querer ser “grande” logo, de crescer rápido para quem sabe desfrutar destas regalias.

Quando nos chamam de criança, chegamos a ficar chateados, eu me lembro que duas coisas me aborreciam muito: uma era quando me chamavam de criancinha e a outra, que julgo ter sido a mais difícil superar, era quando me chamavam de homenzinho, quando alguém dizia: “ olha! Ele já está um homenzinho”.

Para mim , ou talvez, para todo garoto entre 7 e 10 anos, ele já é um homem, capaz de assumir responsabilidades, eu brigava muito pelos meus direitos nessa idade e é claro, meus pais brigavam muito mais pelos meus deveres!

Querer crescer é normal, é o curso natural da vida, é sadio sonhar com os dezoito anos, quantas vezes eu e meus amigos íamos a festas e mentíamos a idade desde a hora de entrar até a hora de ir embora e conseguir uma paquera, o sentimento de ansiedade, sentimento em ter maior idade, em ser “grande”, ansiedade para poder ir e vir a mais lugares e com mais horas para desfrutar, é quase inevitável, na adolescência julgarmos a vida ser mais saudável aos adultos, quantos adolescentes passam noites chorando, vivem deprimidos, entram em crise com os estudos, com o corpo, com os amigos, com pai, mãe, crise com tudo, quantas noites eu passei no meu quarto, olhando para o teto e chorando, por minha mãe não me deixar ir a uma festa! Sonhamos com a liberdade, com o carro, com a pessoa amada, com o salário no bolso ao invés de depender daquela bendita mesada, que por muitas vezes me foi cortada por mau comportamento ou falta de cumprimento de uma tarefa e devo confessar que sempre que podia fugia da minha, pois ela era simplesmente lavar banheiro e varrer o quintal!

O querer ser está dentro de nós desde o nascimento, queremos ir e vir, fazer ou não, ter direitos, parece que tudo será mais fácil, que todas essas crises nos deixaram no dia em que completarmos maior idade.

Há muitas pessoas que quando chegam à fase adulta, ao invés de fazerem uma transição, fazem uma chacina, matam o sentimento inocente de criança, se tornam maldosos, matam os amigos de infância, matam os desejos, os sonhos, matam a alegria, matam até mesmo os pais, pois muitos passam a vê-los apenas em datas especiais.

Queremos ser homens e mulheres maduros (as), arrancando de nós a raiz da infância, arrancando o sorriso, o olhar doce, a bondade.

Muitos que se dizem líderes, mestres, doutores, governantes e outros, abandonaram a alegria para adquirirem respeito, para demonstrarem seriedade, esquecendo que dentro dele deveria existir uma criança feliz e realizada. O assassinato deste menino interior, muitas vezes gera a morte do homem exterior e este assassinato corre muitas vezes em função do medo, medo de perder a posição, medo de manchar a imagem que ele mesmo criou de si, medo de chorar, medo de rir, medo de ouvir não, medo de dizer sim, medo de errar, de pedir perdão, medo de ter que ficar de castigo!

É melhor matar a criança interior, que admitir que o homem exterior precisa de um castigo, precisa de um tempo no canto da sala sozinho, muitos agem como verdadeiras máquinas, incapazes de admitir seus erros, de confessar que precisam de ajuda, passam por cima de tudo e todos, seja amigo, seja família, seja quem for, passam por cima para enfim conseguirem ser “homens”, serem adultos e obterem, ainda que a força, seus direito!

Todos nós algumas vezes na vida, e não são poucas, precisamos voltar ao tempo de criança, ao tempo em que é capaz de dar um simples sorriso ou chora, ser castigado, reconhecer que errou, fazer aquela carinha de criança que aprontou e admitir ser castigado, pedir perdão ou simplesmente obter uma vez mais, o colo da mãe!

O orgulho por muitas vezes nos impede de fazer tal coisa, nos impede de voltar e reconhecer, talvez por achar que já é grande, você seja incapaz de reconhecer que precisa de um castigo ou um colo e quando se dá conta, você já quebrou muito mais que um brinquedo, já quebrou uma empresa, um negócio, uma carreira, uma instituição, cargos, pessoas, quebrou sua própria vida!cresça, apareça, isso é saudável, mas não se esqueça que sempre que for preciso, você precisará diminuir, precisara voltar, reconhecer suas falhas, sua necessidade de ajuda, de ser guiado por alguém, sabendo que pode rir, chorar, acertar, errar, dizer sim, dizer não, pode ser bastante apaludio, mas pode também ser castigado!

Por: LUCIANO PIERRE

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